O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais e ajudar a esclarecer duvidas sobre a nossa complexa realidade.

Aqui irei expor textos, reflexões, videos, imagens e etc. relacionados com os seguintes assuntos:
Psicologia, Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia, Sociologia e o funcionamento do sistema em geral.

Não esperamos que acreditem no que é apresentado aqui sem primeiro investigar por vocês mesmos, e nós insistimos que vocês o façam!
O que é postado aqui são apenas perspectivas e não "verdades absolutas", com isso quero dizer que não tentarei convence-los, mas estimula-los a irem além do que conhecem, ou acreditam conhecer.
Busquem informação e ajudem a dissemina-la! Com informação vem conhecimento, com conhecimento sabedoria, a sabedoria lhe aproxima da verdade.... e a verdade o libertará!
Ouça a todos, não siga ninguém.
A única revolução é a SUA Evolução da Consciência!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Despertar Coletivo

AVISO

Não postarei mais nesse blog, agora estarei postando apenas no novo site: www.DespertarColetivo.com
Essa é a segunda vez que mudo de site, mas pretendo que dessa vez a mudança seja definitiva.

Nenhum dos dois blogs serão excluídos, os links continuarão funcionando enquanto a plataforma blogspot existir, e aos poucos eu vou passando as postagens antigas para o novo site, junto com conteúdos novos.

Obrigado pela compreensão.
Despertar Coletivo


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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Zen: A Vida de Mestre Dogen

Um dos maiores filósofos e nomes do Zen-Budismo que já existiu, fundador da Escola Zen Soto no Japão, Mestre Dogen, que viveu de 1200 a 1253, teve sua vida recontada num filme recente intitulado "Zen" (2009), de 2h07min -- que segue abaixo, no original falando em japonês e mandarim.

O filme remonta várias passagens importantes e conhecidas da vida de Dogen, e ainda que seja notavelmente difícil ter relatos exatos do século XI e também de reinterpretar momentos espiritualmente decisivos como os que Dogen viveu, há diálogos e ensinamentos em toda a obra. A história contém momentos como a morte da mãe de Dogen, logo no início, a alegoria da sua iluminação, as perseguições e o trabalho como mestre budista, entre outras passagens.

Recomendo o livro "O Espirito do Zen" de Alan Watts para quem é leigo no assunto, mas como diz o ditado "não se atinge através do pensamento, não se atinge através do não pensamento", portanto, não é o estudo que trás a iluminação mas a experiência direta da realidade, toda leitura é apenas um dedo sendo apontado para a lua, não devemos focar no dedo, se não perderemos a beleza da lua.


Filme Completo Legendado




Postagens Relacionadas:

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Paraíso ou Esquecimento [Legendado]

Como seria uma sociedade onde não houvesse escassez? Uma sociedade onde comida, vestuário, diversão e tecnologia fossem abundantes para todos os seres humanos, o dinheiro e a economia não teriam grande valor. Esse questionamento é a proposta do excelente documentário "Paradise or Oblivion" (Paraíso ou Esquecimento), produzido pelo Projeto Vênus de Jacque Fresco. O filme mostra a necessidade de superar os métodos ultrapassados e ineficientes de nossos sistemas políticos, de justiça, econômico e qualquer outra noção de relação humana estabelecida, e substituí-los por métodos científicos combinados com alta tecnologia para suprir as necessidades humanas, através de um ambiente de abundância para todas as pessoas.

Sinopse: Este documentário detalha as causas fundamentais dos distúrbios sistêmicos de valores e sintomas prejudiciais causados pelo nosso sistema estabelecido atual. Esta apresentação defende um sistema sócio-econômico que é atualizado para os conhecimentos de hoje, apresentando o trabalho ao longo da vida do Engenheiro Social, futurista, Inventor e Engenheiro Industrial Jacque Fresco, daquilo que ele chama de uma economia baseada em recursos.

O filme explica a necessidade de superar os métodos ultrapassados e ineficientes de política, direito, negócios, ou qualquer outra "noção estabelecida" de relações humanas, e usar os métodos da ciência combinados com alta tecnologia para suprir as necessidades de todas as pessoas do mundo. Isso não é baseado nas opiniões da elite política e financeira ou ilusórias democracias, mas na manutenção de um equilíbrio dinâmico com o planeta que poderia, finalmente, fornecer abundância para todas as pessoas.

"Paraíso ou Esquecimento", desenvolvido pelo Projeto Venus, introduz o espectador à um sistema de valor mais apropriado do que seria necessário para ativar essa abordagem holística para beneficiar a civilização humana. Esta alternativa supera a necessidade de um ambiente de base monetária, controlado e orientado para a escassez, que encontramos hoje.

Site Oficial do Projeto: www.thevenusproject.com
Site do Movimento Zeitgeist: www.movimentozeitgeist.com.br




Artigos Relacionados:

terça-feira, 21 de junho de 2016

Cultura em Declínio

"Série online de 30 min, criada e hospedada por Peter Joseph(Criador da Trilogia Zeitgeist). Tal como acontece com todos os trabalhos de vídeo de Peter, está faz parte de um "Projeto de Mídia com Distribuição Livre"(Free Project Media Distribution), que permite a distribuição aberta, sem fins lucrativos, de seus meios de cinema em todo o mundo."


Canal oficial de “Culture in Decline” no YouTube.

"Cultura em Declínio" (Culture In Decline) é uma expressão satírica mas séria que desafia vários fenômenos culturais existentes hoje e que a maioria da sociedade parece tomar como garantida. Nada é considerado sagrado nesta série com exceção de uma referência individual de lógica fundamental e razão - forçando o espectador a sair da caixa de "normalidade" e a considerar as nossas práticas sociais sem a tradicional bagagem e preconceitos. Temas comuns incluem política, economia, educação, segurança, religião, vaidade, Governança, Mídia, trabalho, tecnologia e outras questões centrais de nossas vidas diárias.

Todos episódios estão legendados, se a legenda não funcionar, abra o vídeo no YouTube e ative a legenda nas opções do vídeo.

1º Episódio 
"Que Democracia?"  (2012) - "What Democracy?"
"Este show de abertura foca as próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos 2012 e sobre o tema de qual o nosso entendimento sobre o que é "democracia" no mundo de hoje."



2º Episódio
"Introdução à Economia" (2012) - "Economics 101"
O tema deste episódio, intitulado "Economia 101" trata do assunto de Cálculo Econômico, lógica de mercado e suas consequências, juntamente com considerações sobre os princípios científicos da sustentabilidade. Este episódio apresenta retórica prolixa e geralmente insultuosa, um demônio como convidado especial, um repórter direto das ruas e o retorno do capitalista com terno cor de pêssego - o alter ego de Peter."



3º Episódio
"Transtorno de Consumo-Vaidade" (2012) - "C.V.D."
"Cultura em Decadência #3 apresenta uma nova doença epidêmica que está se espalhando rapidamente pelo mundo: "Transtorno de Consumo-Vaidade".
Essa doença não se espalha através da mutação de vírus ou predisposição genética, mas através de 'Memes' culturais, transformando o mundo em uma fossa de mini-shoppings, distúrbios de auto-imagem, materialismo extravagante, peitos falsos e transgressões sociais beligerantes."



4º Episódio
"Guerra à Natureza" (2013) - "War On Nature"
"Nesse episódio, Peter investiga a natureza da Guerra e o conflito humano; a Casa Branca declara Guerra à Natureza em si; um chef francês prepara uma iguaria internacional para as crianças; Louie o demônio da lógica retorna para incomodar todo mundo e nosso 'Homem na Rua' fica louco."



5º Episódio
"Bebê vai BUM!" (2013) - "Baby go Boom"
Neste episódio de Cultura em Decadência, o tema da Segurança será investigado. Os terroristas do mal aparecerem novamente apavorando as companhias aéreas, o cara com gravata nos lembra quem está no controle e uma premiação especial para um personagem muito notável no Debate de Controle de Armas.
Participações Especiais de Chad Fisher (Alex Jones) e Rick Overton.



6º Episódio
"Conto de Dois Mundos" (2013) - "Tale of The Two Worlds"
Neste episódio final da temporada, Dr. Peter Joseph apresenta sua novíssima Máquina do Tempo, guiando a todos através de dois possíveis futuros. O primeiro explora a atual tendência que pode nos levar à níveis cada vez maiores de declínio; O segundo mostra o que o mundo pode ser... se todos de fato se importarem pra fazer isso acontecer.



Veja também
Trilogia Zeitgeist:
  1. Zeitgeist I - O Filme
  2. Zeitgeist II - Addendum
  3. Zeitgeist III - Moving Forward

Artigos Relacionados:

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Siddhartha Gautama - O Buda

A iluminação de Buda ao enfrentar seu ego
"Buda" é um título dado na Filosofia Budista para àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos daquilo que chamamos de realidade e se puseram a divulgar tal descoberta aos demais seres.

Siddhartha Gautama, foi um príncipe da região do atual Nepal, buscador da verdade, e eventualmente tornou-se um professor espiritual daquilo que ele havia redescoberto em si mesmo. É popularmente conhecido como O Buda, que significa "aquele que despertou". Seus ensinamentos deram origem ao budismo, mas ao contrário do que muitos pensam, ele não é o fundador do mesmo. Nas palavras do próprio Buda, como é dito através do Sutra do Diamante:
"Nunca pense que eu acredito que devo estabelecer um sistema de ensino para ajudar as pessoas a entenderem o caminho. Nunca divida tal pensamento. O que eu proclamo é a verdade como eu descobri. Um sistema de ensino não tem nenhum significado, porque a verdade não pode ser quebrada em pedaços e ser disposta em um sistema."

Existe muita discussão sobre se o budismo é uma religião ou é uma filosofia. Ao meu ver, é ambos, pois o termo religião vem do latim "religare", que significa "religação", e a religação com a nossa essência é uma das buscas dos budistas. Outro ponto é que em qualquer religião há filosofia, mas a diferença é que no budismo é transmitida a ideia de que não devemos nos apegar a crenças, no sentido de não nos atermos apenas a elas. Além do mais é uma religião não-deísta, ou seja, não tem como base em suas estruturas nem narrar a formação do mundo, nem apresentar seres superiores e buscar favores deles ou sequer entender esse Deus ou deuses, simplesmente por que não temos como conhecer tudo.

O budismo poderia também ser melhor descrito como uma ciência da mente, assim como a psicologia, já que busca compreender nossos processos mentais, e como podemos aprender a lidar com eles e até mesmo transcender o controle que alguns processos tem sobre nós.
Muitos dos que rotulam o budismo como sendo uma religião igual a qualquer outra, são pessoas que se dizem ateus, mas que na realidade são anti-religião, onde ao ligarem-se demais ao materialismo das coisas não conseguem processar seus entendimentos de uma maneira mais abstrata e vislumbrar a profundidade daquilo que não se compreende apenas de maneira intelectual. Mas isso não é a chamada "fé", a compreensão que me refiro aqui vai além de crenças e falsas certezas criadas pela mente intelectual. Como disse Lao-Tzu: "A verdade não pode ser dita. Se é dita, não é a verdade”, ela pode apenas ser experimentada, e somente através de nossos próprios filtros sensoriais e mentais. E por esse motivo digo que o budismo não é uma religião, pelo menos não no sentido dogmático (apesar de algumas vertentes tenderem para esse lado por ser uma característica cultural buscar dogmas). Nas palavras do próprio Siddhartha, "não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo porque todos falam a respeito. Não acredite em algo porque está nas escrituras sagradas. Não acredite em algo só porque seus mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o".

Curiosidade: Budismo na cultura moderna
É importante entender que não se deve interpretar literalmente as histórias de Buda, assim como a de Jesus e Krishna, pois elas são muitas vezes representações metafóricas de processos mentais. Também ocorre que quando se deseja expressar alguma ideia complexa de ser explicada usando as palavras, é preciso usar símbolos que as pessoas possam entender, ou pelo menos ajuda-las a ter uma noção do que se está falando.

Uma curiosidade interessante relacionada ao assunto é o fato do personagem principal da Trilogia Matrix, Neo (One = Um), ser uma referência evidente ao Buda, devido a história do personagem ter diversas semelhanças, como a busca pela iluminação, a idolatria que o povo de Zion tinha por ele, na esperança de uma libertação, no final do filme Neo percebe que ele é um com a Fonte ao integrar o Agente Smith (que representa o Ego, ou a Sombra de Neo) em si mesmo. O ator que interpreta o Neo, Keanu Reeves, também interpreta Siddhartha em um filme de 1993, "O Pequeno Buda" (Filme completo no final do artigo). No segundo filme "Matrix: Reloaded", Neo encontra o Arquiteto, o criador da ilusão, algo parecido acontece no filme "O Pequeno Buda", Buda encontra seu "falso eu"(a identificação com a forma, o ego) e chama-o de "arquiteto" também.

  • DOCUMENTÁRIO: The Buddha (2010)
SINOPSE: Documentário do premiado diretor David Grubin, narrado por Richard Gere, que conta a história da vida do Buda, uma jornada especialmente relevante para os nossos próprios tempos difíceis de mudanças violentas e confusão mental. Ele apresenta o trabalho de alguns dos maiores artistas e escultores do mundo, que nos últimos dois mil anos vem retratando a vida do Buda em obras de arte ricas em beleza e complexidade. Budistas contemporâneos, como o poeta ganhador do prêmio Pulitzer, W.S. Merwin, e sua santidade o Dalai Lama, revelam insights que tiveram a partir da antiga narrativa sobre a vida do príncipe indiano Siddhartha Gautama, que abandonou todo o luxo, conforto e ilusão da vida palaciana e partiu numa busca espiritual que o levaria à iluminação.

Documentário [Legendado - Parte 1]


Documentário [Legendado - Parte 2]



  • DOCUMENTÁRIO: A Vida de Buda (BCC)
SINOPSE: Este documentário recria a vida de alguém que nunca quis ser venerado como um Deus, mas que mudou para sempre a história da humanidade em busca de paz e felicidade eterna. Quinhentos anos antes de Cristo um jovem príncipe deixou seu palácio e iniciou uma viagem pelo norte da Índia. Suas experiências definiram uma filosofia de vida que hoje tem mais de 400 milhões de praticantes. A filosofia Budista cresce dia após dia e mais pessoas, cada vez mais jovens, se interessam sobre os ensinamentos de Buda.

No início do século XIX, um grupo de arqueólogos e exploradores ocidentais encontrou em Lumbini, um pequeno povoado do Nepal, o lugar de nascimento de Buda, o que os permitiu descobrir alguns segredos de sua vida. Uma pesquisa profunda, com testemunhos de especialistas e as últimas descobertas arqueológicas.


Documentário Completo [Dublado]

  • FILME: O Pequeno Buda (Little Buddha - 1993)

"Little Buddha" é um filme que aborda a história de Siddhartha Gautama, que é contada para uma criança que acredita-se ser a reencarnação de um grande monge.
 O filme é direcionado para crianças, aborda o tema de maneira bem básica e simplificada, mas é muito interessante para quem não conhece a história e a filosofia Budista.

SINOPSE: Um dia, ao voltar para casa, o arquiteto Dean Conrad (Chris Isaak) encontra dois monges budistas tibetanos, Lama Norbu e Kenpo Tensin, sentados na sua sala de estar, conversando com Lisa, sua esposa. Guiados por vários sonhos perturbadores, os monges viajaram do Nepal até Seattle pois acreditam que um garoto de 10 anos, Jesse, o filho de Dean, possa ser a reencarnação de Lama Dorje, um lendário e místico budista. Inicialmente Dean e Lisa ficam céticos, especialmente quando os monges manifestam interesse em levar Jesse para o Butão, na intenção de comprovar ou não se ele é a reencarnação de Lama Dorje. Porém após o suicídio de Even, um sócio de Dean, este muda de ideai. Após deixar Lisa nos Estados Unidos, Dean viaja com o filho para o Butão.


FILME COMPLETO [LEGENDADO]


quinta-feira, 9 de junho de 2016

A "Morte" do Ego: Compreendendo o SER


Continuação do texto "A Ilusão do Eu"


Não está na lógica a percepção de uma possível emancipação do pequeno eu. Eis então o flagelo do pseudoconsciente, acreditar que é superior ao ego, que é superior a uma parte de si mesmo, perpetuando sua fragmentação.

Sendo o pequeno eu uma extensão do Eu Profundo, nele está abrigada a própria manifestação do não-manifestado. Logo, sendo um canal para a expressão do divino, estar superior ao ego é estar, em termos diretos, não mais vivo. Vê-se então a impossibilidade de matar o ego, pois sendo a própria tradução do não linear, sua inexistência anularia completamente a vida.
Veja que me refiro à mente como um todo, não aos seus condicionamentos.

Eis então a nossa proposta para que haja uma trindade harmônica na vida de cada ser humano: O Eu Profundo, o mundo e o pequeno eu.

Quando há somente o primeiro (a existência em si), não pode haver vida física, a linguagem é incompatível, por isso necessita de um ponto de referência. Quando esse ponto é neutro, dizemos que não existe intermediário, apenas tradutor.

Logo, a existência da mente é necessária; seu descontrole é que não. Quando descontrolada, torna-se intermediária, torna-se uma voz ativa que teima em distorcer a tradução.

O ego não existe por si só. Se você meditar profundamente sobre um determinado ego("eu"), vai perceber que ele se desvanece como uma nuvem. Ele não possui essência, não tem nada de concreto, é apenas uma associação de pensamentos que adquire uma personalidade própria. É como um fluir de pensamentos e emoções que se enredam e assumem a ilusão de ser alguma coisa real. Todos os egos são apenas associações de pensamento, assumem uma personalidade e quando estão no comando temos tanta certeza de sua existência que pensamos: este sou eu, eu sou assim, eu quero isso, eu não quero aquilo, é minha opinião. Porém, nada mais falso, são apenas pensamentos agrupados e associados que assumem vida própria e por alguns momentos acabam por assumir o comando.

O mundo, segundo elemento, não precisa de porta-voz para comunicar-se com o espírito, precisa apenas de um tradutor que mantenha a verdade incorruptível. Não é para haver tradução livre, é para haver tradução literal, pois o mundo é literal, é concreto e é por isso que o espírito quer conhecê-lo, pois o Eu Profundo não é literal, mas abstrato, fugindo de qualquer padrão identificado pela mente.

Deste modo, quem insiste em querer dissipar o ego está vivendo uma fantasia. Sendo o ego uma característica da mente, tudo o que for do pensamento parte inevitavelmente do mesmo princípio: o pequeno eu. Portanto, a ação em si já uma característica “corrompida” pela mente, impedindo que haja a separação, tão aclamada pelo pseudoconsciente, entre seu Eu Profundo e o ego. Matá-lo então é um pensamento tolo.

O ego não pode ser morto, pois não existe, é a ilusão de identificação com algum conceito que você criou de si mesmo(personalidade, corpo, status, etc.). Quando você diz que vai matar o ego, é o próprio falando. Quando você diz que se tornará superior ao ego, é o próprio falando. Quando você diz que vai lutar contra ele, é o próprio falando. Qualquer mentalização provém do ego. O que está além é a vontade pura, sem pontes para a expressão. É algo que não se descreve, não se fomenta e não se põe em movimento linear.

Portanto, matar o ego é impossível, ele sempre existirá, a não ser num estado da não-forma, no estado da divindade em si, do espírito, do total abstrato e subjetivo. Enquanto houver antropomorfização do espírito, a mente persistirá.

O que se deve fazer é harmonizar a mente, o mundo e o Ser. Esta trindade deve novamente ficar em equilíbrio, assim como ocorria na tenra infância em que o intelecto não estava presente, ou seja o intermediário, mas tão-somente o tradutor. A maturidade espiritual consiste em trazer de volta o tradutor, porém agora preenchido de consciência de si e de seu papel na evolução da matéria e na experiência do Eu Profundo.

Pois aquele que mesclar a inocência de uma criança com a consciência de um adulto estará enfim liberto das amarras do mundo. Terá finalmente sublimado Maya.

Compreenda algo de extrema importância: inteligência não tem nada a ver com conhecimento. Adquirir conhecimento é tornar-se instruído, mas não necessariamente inteligente. E veja que aqui eu nem me refiro à sabedoria, esse é outro nível. Instrução e inteligência são aspectos totalmente diferentes do entendimento humano.

Acumular conhecimento desvairado é um atributo de quem não conhece a si mesmo. Mais que isso, é um atributo de quem acha que sabe quem é. Não se trata de compreensão, trata-se de interpretação de informações concretas, uma vez que a raiz de qualquer conhecimento adquirível por vias materiais é constituída de objetivismos.

E não importa que haja pretensas abstrações em determinadas ideias filosóficas; em havendo a transcrição, haverá também uma perda quase integral do atributo original. Logo, qualquer conhecimento que possa ser aprendido pela mente concreta é contraído e limitado, pois assim é o pensamento.

Então, a principal diferença entre alguém instruído e alguém inteligente é que o primeiro, para saber o que sabe, procura ler 10 mil livros, mas o segundo aprendeu a buscar o conhecimento diretamente da fonte; por isso, mantendo-se em constante evolução, poderá tornar-se um sábio algum dia.

Não me refiro ao conhecimento apenas intelectual, vou muito além do intelecto. Falo da concepção universal do que é ter verdadeiro conhecimento, verdadeira inteligência e verdadeira sabedoria. Refiro-me ao saber baseado no autoconhecer e no autovivenciar que, para o mesmo efeito, leva cedo ou tarde ao conhecimento exterior que mais se aproxima daquilo que constituímos como verdade. Aqui, a sabedoria então pode ascender.

Mas isso só poderá vir quando o indivíduo perceber que o conhecimento não está em sua mente. Esse é o grande truque. Enquanto o intelectual busca ler tudo o que puder, o sábio acessa tudo aquilo de que ele precisa diretamente dos registros coletivos da consciência humana. E isso só pode se dar quando há espaço suficiente para a manifestação da intuição, do sopro do Eu Profundo.

Aquele em busca da sabedoria compreende que todo o conhecimento adquirido em vida se perde no momento da morte. Todos os diplomas, cursos, reconhecimentos, prêmios, conquistas, tudo isso se torna apenas uma partícula singular. Compreender isso é libertador, pois se entende que a busca exacerbada por conhecimento é desperdício de energia.

O conhecimento não está na mente, e isso é algo que pode chocá-lo. E eu lhe proponho apenas uma pequena meditação a respeito, pois sei que isso fará todo o sentido para você. A mente é apenas um referencial, um guia. O pensamento não nasce na mente física, assim como tudo o que aprendemos não fica nela armazenado.

Você, como divindade, sabe tudo. Mas você, como pequeno eu, não tem consciência disso.

Logo, como pequeno eu, você tenta compensar esse esquecimento lendo e estudando desesperadamente para aprender tudo o quanto for possível, quando o mais sábio e eficaz seria tornar-se consciente e reconectar-se com seu lado divino que tudo sabe, tudo vê e tudo entende.

E é justamente por não compreender isso que você, ainda achando que é o pequeno eu, sofre, pois não compreende as coisas, se enraivece, pois não sabe como lidar com as pessoas e se magoa, pois não consegue entender a si mesmo. Seu estado de inconsciência produz uma avalanche de mentalizações em forma de flagelos.

Então, o grande lance é você deixar de lado essa ânsia por compreender tudo. Isso só leva a muita confusão pelo excesso de informações. Torne-se, ao invés disso, mais e mais consciente de si mesmo e do seu entorno.

Aos poucos, você estará derrubando barreiras que impedem que a intuição aflore. Pois quando ela soprar em seu pescoço, um novo universo estará ao seu alcance. Você saberá coisas que jamais pensou em conhecer; verá abstrações tão nítidas como uma xícara de café; começará a entender as mais complexas questões formuladas até então por sua mente.




Buda - A Superação do Ego

 J. Krishnamurti - O "Eu"



Reflexões acerca do Ego



Veja também:
  1. Memento Mori - Lembre-se da Morte
  2. As Armadilhas do Ego
  3. Revolver
  4. Siga a si mesmo

terça-feira, 7 de junho de 2016

A Ilusão do "Eu"

Recomendado ler antes: Memento Mori

 O conceito de Ego pode significar muitas coisas dependendo de quem está falando, em uma visão esotérica seria o lado "problemático" da mente, aquele que sucumbe facilmente à ganância, gula, luxúria, ódio, preguiça, inveja e vaidade/orgulho. Embora essa visão não esteja completamente errada, é uma perspectiva simplificada e reducionista, na verdade, o que chamamos de "eu" é uma estrutura mental que criamos para convivermos em sociedade.

O psicanalista Sigmund Freud idealizou o ego como sendo uma das três estruturas do seu modelo de aparelho psíquico. O ego desenvolve-se a partir do Id com o objetivo de mediar os impulsos provenientes do inconsciente, levando em consideração as demandas e limitações impostas pelo "mundo externo". O ego faz isso através de mecanismos de defesa, que extravasão  ou redistribuem a energia psíquica. Na psicanalise o ego não é completamente consciente, os mecanismos de defesa fazem parte de um nível inconsciente e não temos total controle sobre eles.

Já seu discípulo, e eventual dissidente, Carl Jung usou o termo "ego" para definir uma parte da psique humana, a qual se encontra dentro de uma estrutura maior. Um dos principais conceitos de Jung e, pode-se dizer, o objetivo de todo homem para ele, é o da individuação, que seria um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema, por isso é tão importante manter a comunicação e o equilíbrio do eixo ego-Self.

Mind Throne
by Justin Slattum
 Quando vemos o ego como algo "problemático" o que sentimos imediatamente é a vontade de separa-lo, exclui-lo, mas isso só ira gerar mais conflito. O ego, apesar de ser uma ilusão, não é um inimigo, a não ser que você faça ele um. Ele é apenas um processo mental, o problema é quando criamos um senso de identificação rígido e obsessivo, fazendo isso acabamos por dar boa parte do nosso poder para essa ilusão ditar o que devemos pensar, sentir e ser,. O que precisamos fazer é tomar consciência da estrutura mental que construirmos, e podemos fazer isso de maneira eficiente  através da auto-observação, ou qualquer tipo de observação, pois tudo que vemos nos outros, e até mesmo nos padrões da natureza, faz parte da nossa essência, o que nós realmente somos é uma forma de extensão da existência em si. Compreender isso que é transcender o ego, não é destruí-lo, mas entender porque ele existe, e usa-lo com sabedoria. O ego é um bom servo, mas um péssimo mestre.


Break Free by Donnyhood
Ao notar uma possibilidade de sua existência não ser "verdadeira" (no sentido de ser impermanente), ou ao se encontrar com algum evento contrário a sua perspectiva, o ego assume uma postura de reação e ataque, negando persistentemente qualquer outro braço do fractal universal. Deste modo, o intelecto não pode incluir nada em seu campo de existência que vá contra aquilo que já está condicionado em seu interior.

Se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, da totalidade, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos e/ou convenientes. A mente consciente opera em padrão de seleção e deleção de informação, não há como ela processar tudo. Portanto, se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, do todo, portanto não se sente completa, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos conscientemente e isso distorce a sua percepção.

Conhecer o todo, ou ao menos ter um vislumbre do todo, da criação, não é possível através do intelecto. A verdade não pode surgir do intelecto, pois ela não é linear, não pode ser traduzida. Pois que no momento em que há a tradução da verdade, ela deixa de existir. A verdade só pode ser experimentada.


Como disse Lao-Tzu: "A verdade não pode ser dita. Se é dita, não é a verdade”, ela pode apenas ser sentida, e somente através de nossos próprios filtros sensoriais e mentais.
Até podemos tentar compreende-la através do intelecto, mas jamais será a verdade em si, apenas uma perspectiva dela. Por esse motivo é importante entender que o que chamamos de "eu" não tem uma existência objetiva, somente existindo como um reflexo ilusório da consciência primordial, como uma ideia em nossas mentes e não a verdade em si.

Quando nos fixamos na identificação obsessiva com este "eu" nos limitamos, nos fechamos para o total potencial de quem somos.

 Com esse texto eu não quero dizer que não devemos usar o intelecto, muito pelo contrário, o que quero dizer é que devemos utiliza-lo da maneira adequada, sabendo sua função e suas limitações. Todos processos mentais tem sua utilidade, precisamos saber equilibrar, pois como diz o velho ditado Zen sobre a iluminação:
"Não se pode atingir ao pensar.
Não se pode atingir ao não pensar."


Há quem diga que apenas na "morte" do ego é possível haver felicidade, paz e liberdade. Mas será possível (e necessário) matar o ego?

Continua...

sábado, 21 de maio de 2016

V de Vingança

Um filme pra ver e rever, com citações libertárias, diálogos rápidos e inteligentes, um enredo de certo modo complexo, que lida com questões filosóficas sobre o nosso modo de vida e onde ele está nos levando. Uma das melhores mensagens que o cinema já passou (apesar da história original ser um HQ), de que ''o povo não deve temer o seu governo, o governo deve temer o seu povo''.
Com o aparecimento desse grupo chamado "Anonymous" acho que é uma boa hora pra fazer propaganda desse filme, pois a mensagem é muito boa e leva até as pessoas menos interessadas a uma reflexão.

Introdução
Você não é um escravo(a)
'Existem sempre aqueles que não querem que falemos sobre a estrutura social e sobre a psicologia humana, pois estes mesmos detêm o poder e conhecimento para manter a sociedade como está em seu beneficio, mas as palavras sempre manterão seu poder, palavras que expressam um significado para aqueles que ouvem a chegada da verdade, e a verdade é que algo está errado com o nosso mundo, não é? Crueldade, injustiça, intolerância e opressão, fortalecendo o controle através do medo. Devemos aproveitar a oportunidade enquanto ainda temos chances de mudar, mas para isso precisamos saber quem são os culpados. Certamente alguns são mais culpados do que outros, mas verdade seja dita, se quiserem realmente saber quem são os culpados olhem no espelho.
Eu sei porque vocês agem assim, eu sei porque vocês sentem medo, quem não estaria com medo? Guerras, terror, doenças, milhões de problemas conspiram para coagir sua "razão" e roubar seu senso critico. O medo lhes dominou. E em seu pânico vocês recorrem a uma fonte externa em busca de algum tipo de salvação, e acabam nas mãos de governos corruptos e instituições religiosas enganadoras que lhes prometem ordem e paz, e o que pedem em troca é "somente" seu consentimento e obediência.
Liberte-se do Sistema!
Então convido vocês caros leitores a verem essa obra prima do cinema que expressa nossa sociedade de um jeito magnífico, e nos lembra que ainda há esperança e que justiça e liberdade não são somente palavras, elas são perspectivas, então se vocês realmente acham que não existe nada de errado com o nosso mundo, se os crimes desse nosso governo oculto são desconhecidos por você, sugiro-lhes que deem uma olhada nesse filme (sugiro também a Trilogia Zeitgeist) e se questionem sobre os seus valores. Mas se vocês veem o que eu vejo, se vocês se sentem como eu me sinto, e se vocês buscam o mesmo que eu, ajudem a disseminar a informação, ajudem as pessoas a despertarem de seu sono auto-induzido, sem forçar seu ponto de vista, cada um tem seu tempo... Mesmo que as vezes pareça que a situação não tem jeito, tenha certeza...
NÓS SEREMOS VITORIOSOS!'
                                                              Citação do filme adaptada por mim.

"Chega um tempo, em que a operação da máquina se torna tão obvia, e te deixa tão doente, que você não pode mais fazer parte. É impossível pensar em fazer parte! Então é preciso jogar seus corpos contra as engrenagens, contra os mecanismos, contra as manivelas, contra todo o aparato, e você tem que fazê-la parar! E você tem que chamar a atenção das pessoas que comandam isso, que se você não for livre, a máquina vai ser impedida de trabalhar de vez!"


Trailer do Filme



Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, Stephen Fry, John Hurt.
Direção: James McTeigue
Genero: Ação e Revolução!
Sinopse: Evey é uma jovem que é salva de morte certa por um homem mascarado. Identificando-se apenas como “V”, o mascarado revela um carisma incomparável e um talento extraordinário na arte do combate e da astúcia. V desencadeia uma revolução quando insta os compatriotas a lutar contra a tirania e a opressão. Mas ao descobrir a verdade sobre o misterioso passado de V, Evey toma também conhecimento da verdade sobre si mesma e emerge como imprevisível aliada de V, no seu plano para devolver a justiça e a liberdade a uma sociedade afligida pelo medo, crueldade e corrupção.
 

 Link para Download: 
(O filme e a legenda tem que estar na mesma pasta e ter o mesmo nome)




    quarta-feira, 18 de maio de 2016

    O Efeito Sombra

    "Aprenda a amar com todo o seu coração e aceitar o lado desagradável dos outros (e o seu). 
    Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso ter um grande coração para incluir os espinhos."
    - Ditado Budista


    Documentário inspirado pelo livro de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson.
    "O Efeito Sombra" tem como tema principal o conflito entre quem somos e quem queremos ser, conflito que cada ser humano convive dentro de si. Aborda também a questão da Dualidade que vivenciamos na atual realidade, seja no mundo interno ou externo. Essa dança entre os opostos é necessária para existir qualquer tipo de interação e compreensão, pois se não há escuridão como podemos distinguir a luz? Se não há frio, como podemos dizer que algo é quente?
    Carl Jung fez uma observação interessante sobre esse fato: "Até mesmo uma vida feliz não pode existir sem uma medida de escuridão, e a palavra “feliz" perderia seu significado se não fosse equilibrada pela “tristeza". É muito melhor aceitar as coisas como elas vêm, com a paciência e equanimidade."

    Sinopse:
    “Os monstros não dormem em baixo da sua cama,
    eles dormem dentro da sua mente”
    O que é a Sombra? A Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. Todos nós temos um lado obscuro. É aquele sentimento escondido de todos, e aquele desvio de comportamento que uma pessoa considerada "boazinha" possui. É o desejo de se entregar ao vício, de explodir, de brigar. É toda a energia que tentamos não ter. Porém a Sombra é parte nossa, e por ser algo bom, mas escondida e excluída, pode transformar-se em maus pensamentos. Mas descoberta e compreendida, a Sombra nos levará ao caminho da plenitude! Sairemos da ilusão de que nossa obscuridade nos dominará e, em vez disso, veremos o mundo sob uma nova luz, uma nova perspectiva. A empatia que descobrimos por nós mesmos dará ignição para nossa confiança e coragem à medida que abrirmos nosso coração a todos ao nosso redor. O poder que desencavamos nos ajudará a confrontar o medo que esteve nos segurando e nos incitará a seguir adiante, rumo ao nosso mais alto potencial. Longe de ser assustador, abraçar a sombra nos concede uma inteireza, permite que sejamos reais, reassumindo nosso poder.


    Documentário Completo e Legendado

    Abaixo algumas citações do livro que achei relevante destacar.
    "… O inconsciente não tem a ver com ‘eu’. Tem a ver com nós. Quando uma pessoa tem impulsos e ímpetos inconscientes, eles vêm de toda história da raça humana. Segundo Jung, cada um de nós está ligado a uma ‘consciência coletiva’, como ele assim chamava. A noção de que você e eu criamos nossos self separados e isolados uns dos outros é uma ilusão."
    Pág. 28

    "A medida que nos tornamos mais presentes e alertas, começamos a ver quanto somos robóticos e encurralados nas personalidades que criamos. E podemos escolher tomar medidas proativas para lidar com as sombras que estão nos prendendo e tentar nos libertar. Não se iluda: se não lidarmos com essas sombras, elas lidarão conosco…"
    Pág. 132

    "A sombra não tem apenas as nossas características sombrias, ou aquelas que a sociedade considera más. Ela também inclui todas as qualidades positivas que escondemos. Essas qualidades positivas são frequentemente citadas como ‘sombra iluminada’. Não sepultamos apenas nossas obscuridades, mas também nossos traços positivos – aspectos poderosos, amorosos e deliciosos… Podemos ter enterrado a genialidade, a competência, o humor, o sucesso ou a coragem. Talvez tenhamos escondido a autoconfiança, carisma ou força."
    Pág. 177



    Lidando com a nossa sombra
    Trabalhar com nosso lado sombra é de vital importância, tanto na vida cotidiana quanto na vida dedicada à Arte. Cada vez mais, percebemos que as pessoas têm a tendência de esconderem dos outros e de si mesmas, seu lado "escuro", mas não escuro de uma maneira pejorativa e sim no sentido de algo que foi escondido nas sombras da luz da consciência. Aprendemos, ao longo de nossas vidas, a mostrar para a sociedade somente o lado que a mesma deseja ver. Formamos nossa personalidade de acordo com as regras ditadas por ela e o que ela não gosta, nos escondemos, fechamos em um baú e jogamos a chave fora. Como para atingirmos certos objetivos na vida, nós precisamos seguir as regras sociais, nós acabamos criando um padrão, uma fachada para apresentar às pessoas, sejam nossos familiares, sejam nossos amigos ou sejam nossos conhecidos. E é por isso que fica tão complicado de trabalharmos com nossa sombra, nos apegamos a vários comportamentos e "verdades" que criamos para nós.

    "Está tudo na sua cabeça"
    Trabalhar com nosso lado menos agradável requer, antes de mais nada, maturidade. É preciso aceitar que temos defeitos antes de sairmos por aí acusando ou criticando as outras pessoas por suas atitudes que, por vezes, é a nossa atitude também. E tal ação é fundamental para aqueles que querem seguir o caminho da verdade. Para começar, é preciso parar, olhar para dentro de nós e analisar a fundo nossa personalidade: do que gostamos, do que não gostamos, como reagimos a certas situações, quais são as nossas atitudes instintivas, enfim, todas as atitudes que temos no momento em que nos relacionamos com os outros e com nós mesmos.
    Precisamos entender nosso comportamento antes de meditar. Se nós não entendemos o motivo de termos determinadas atitudes, como vamos entender o por quê nós estamos realizando tal meditação, ou temos tal atitude? Temos que parar para analisar se o que estamos fazendo é bom parar nós ou é só para mostrar ao outro como somos poderosos ou como conseguimos tal resultado com facilidade. E é no ocultismo que observamos essas atitudes mais claramente. Podemos ver isso em qualquer lugar que haja pessoas denominadas Mestras e que queiram aparecer mais que os outros. É a legítima fogueira das vaidades.

    É preciso que nós tenhamos total consciência desse lado “ruim” para que possamos trabalhar com ele e que possamos, então, evoluir espiritualmente, afinal, para haver a luz, é preciso haver também a escuridão (Analise sobre a Dualidade). Entender a si mesmo é um processo complicado e complexo que envolve tempo e determinação da pessoa que quer seguir um caminho equilibrado. É importante que, nesse caminho, nenhuma etapa seja pulada, pois poderão surgir lacunas nas quais faltarão algumas conexões e algum entendimento do que a pessoa esteja buscando.

    Uma boa ocasião para a pessoa analisar-se é ver sua reação em determinada situação. Por exemplo: se a pessoa está em um grupo, como ela reage se alguém diz que conseguiu tal resultado? Sente inveja, ciúmes, raiva? Esses momentos são perfeitos para a pessoa fazer sua autoanálise, pois é na vivência e na prática que a pessoa pode se analisar diante de determinada ocasião. Por isso dizem que "um bom ocultista não é aquele que aparenta ser calmo, sereno, mas que fora do campo de visão dos outros se estressa facilmente e sai agredindo os outros, um ocultista de verdade, é aquele que entende a si mesmo, entende o motivo de ficar zangado em determinada situação e trabalha com esse sentimento para saber como lidar com ele seja em qual situação for. Um ocultista de verdade é aquele que tem os dois lados da mesma moeda em seu coração e sabe usá-los com justiça e consciência."

    "Não existe como criar consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, não importa o quão absurdo seja, para evitar encarar a própria alma. Não nos tornamos iluminados apenas imaginando figuras de luz, mas criando consciência da escuridão. Porém, esse procedimento é desagradável, portanto, não popular."


    A única maneira de mudarmos o mundo de fato, é mudando a nós mesmos. Não adianta julgar e punir as pessoas por coisas que nós mesmos fizemos e fazemos ainda. Estamos todos passivos a errar, critique apenas de maneiras construtivas, jamais para machucar.
    Não seja parte do problema, seja parte da solução, ao invés de derrubar, ajude a levantar.

    Gostaria de encerrar esse artigo com uma tirinha e uma citação reflexiva:


    Quando uma pessoa faz você sofrer, é porque ela sofre profundamente dentro dela, e o sofrimento dela está vazando e se espalhando.
    Essa pessoa não precisa de uma punição, ela precisa de ajuda.
    - Thich Nhat Hanh


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    quarta-feira, 11 de maio de 2016

    Revolver

    Revolver é um filme franco-inglês de 2005, escrito e dirigido por Guy Ritchie, e tem como protagonistas Jason Statham, Ray LiottaAndré "3000" e Vicent Pastore.

    Sinopse:
    Jake Green(Jason Statham) é um jogador que sempre andou com más companhias e que esteve preso durante 7 anos por ter caído nas teias de Dorothy Macha(Ray Liotta). Agora em liberdade e preparado para por em pratica sua vingança, Jake torna-se imbatível nas mesas de jogo usando uma fórmula (criada a partir de estudos feitos em livros de mecânica quântica sobre os padrões do Universo) que aprendeu com os ex-companheiros de prisão.
    Enquanto isso, Macha está a preparar um plano para eliminar sem misericórdia o seu rival, Lord John e aposta a sua credibilidade numa arriscada operação de tráfico de droga com o "todo poderoso", Sam Gold.
    Quando Jake vai visitar Macha no seu casino para humilhá-lo em público é salvo pelo enigmático Zach (Vicent Pastore) e o seu sócio Avi (André "3000"), que lhe oferecem proteção contra os capangas de Macha. A partir deste momento Jake entra num jogo, a última coisa que ele queria vir a estar envolvido, onde em cada esquina o perigo está sempre presente. Mas o maior perigo real vem de uma fonte completamente inesperada….

    Trailer(sem legenda)


    Áudio: Inglês
    Legenda: Português
    Formato: AVI


    ALERTA DE SPOILER

    O foco principal do filme é a vida e o despertar de Jake Green para a realização de que ele não é quem acha ser e que os inimigos exteriores foram criados pelo único inimigo que existe: Nós mesmos.
    O filme aborda as questões da causa e efeito, que teoricamente é o motivo pela existência do ego, que busca compreender os eventos que acontecem no mundo que chamamos de realidade.
    Eu acredito que o que chamamos de "eu" não existe, o que existe são múltiplos "eus" que estão constantemente lutando para se manifestar, o conceito de "eu" é um "trono" criado pela nossa consciência fragmentada, e isso é uma consequência da separação do Absoluto (nossa essência) para poder haver a criação do mundo das formas, que precisa existir para haver qualquer tipo de perspectiva que não seja absoluta(completa, imóvel, perfeita), é preciso para podermos observar a nós mesmos de outra perspectiva, "limitada".
    Essa é a dança do Yin e Yang, há a segregação, e então há a unificação, e essa unificação é feita através do momento presente.
    A existência desse padrão, que é o ego, se torna um problema quando permitimos que ela tome conta da nossa consciência, quando damos uma "vida própria", ou melhor, nós conceitualizamos em nossa mente que ela não é parte de nós, e assim perdemos o poder sobre ela. É isso que nos ajudou a chegar a esse estado de sofrimento em que vivemos, e é isso que alimenta a existência desse padrão.

    Nas palavras do Senhor Green:
    "Existe algo sobre você que você não sabe, que até mesmo nega existir, até ser tarde de mais para fazer algo em relação. É o único motivo que o faz levantar de manha para aguentar as merdas do seu chefe, o sangue, suor e lagrimas desperdiçadas.
    É porque você quer que as pessoas saibam o quão “bom”, atraente, generoso, engraçado, inteligente, astuto você é…
    “Me amem ou tenham medo de mim, mas por
    favor, pensem que sou especial”
    Compartilhamos um vicio, somos viciados por aprovação.
    Estamos nesse jogo pelo tapinha nas costas, o relógio de ouro, o hip-hip-uha.
    “Olhe aquele garoto esperto com o seu distintivo, polindo o seu troféu.”
    Brilhe em si mesmo diamante maluco!
    Porque somos apenas macacos em ternos, implorando pela aceitação dos outros.
    Se soubéssemos, não faríamos isso.
    Alguém deve estar escondendo isso de nós"
    - Jake Green 


    Reflexões Acerca do Ego



    Buda - A Superação do Ego

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